20 de março de 2015

Aula Inaugural do Jornalismo recebe Nando Gross e Márcio Serafini


Márcio Serafini(E) e Nando Gross(D) debatem sobre empreendedorismo no jornalismo. (Foto: Daiana Berto)

Em noite de celebração dos 10 anos do curso de Jornalismo, o auditório da Biblioteca do IPA recebeu os renomados jornalistas Nando Gross, gerente-geral da Rádio Guaíba, e Márcio Serafini, editor-chefe do jornal Pioneiro. Com a pauta “É possível empreender no jornalismo?”, diversos estudantes tiveram a oportunidade de entender as responsabilidades e as complexidades que abrangem a profissão. O professor e coordenador do curso de Jornalismo, Fabio Berti, agradeceu a presença dos convidados e enalteceu a qualidade do corpo docente e dos profissionais que proporcionam ao curso as qualidades necessárias para estar entre os melhores do país, e incentivou aos alunos a acreditar em si mesmo.

“Quantas foram as ocasiões em que nós escutamos que o nosso mercado é complicado, a remuneração nem sempre é aquilo que a gente sonhou, mas quem faz a oportunidades somos nós. E nós podemos empreender em qualquer lugar. O importante é ter a noção de gestão”, afirmou Berti.

Com a busca de uma nova interatividade com os demais colegas, o presidente do Diretório Acadêmico de Comunicação Social (DACS), Giovani Gafforelli, subiu ao palco para apresentar as ideias que permeiam a nova gestão.

“A gente, mais do que nunca, quer ouvir vocês. A voz do jornalista e do publicitário para agregar experiências para todos”.

Auditório lotado para a palestra dos jornalistas. (Foto: Moisés Machado)

A estudante de Jornalismo, Marla Gass, ficou responsável pela intermediação do debate. Apreciador de música, o jornalista Nando Gross contou sobre o início de sua trajetória e como foi seu primeiro contato com o jornalismo. Em 1985, com um projeto ousado na rádio Difusora, atualmente Rádio Bandeirantes, Nando, juntamente com Pedro Ernesto Denardin, alugou um espaço de esportes da rádio e também era responsável pela venda de anúncios publicitários. Mudou-se para a Rádio Guaíba, em 1990, onde atuava como repórter na editoria de Rural. A experiência durou três meses. “Desiludi-me com o jornalismo, achei tudo um saco e me demiti”, confessa.

Em seguida, foi trabalhar em uma agência de propaganda e gravou um jingle de sucesso da campanha eleitoral da época, que rendeu alguns trocados. Com a ligação do jornalista Claudio Moretto, Gross foi para a Rádio Gaúcha, onde trabalhou na cobertura das eleições estaduais de 1991, e logo foi contratado pelo departamento de Esportes. Convidado pelo jornalista Bira Valdez, foi para a Rádio Bandeirantes, em 1995. Diante das dificuldades financeiras e da escassez de anunciantes, toda a equipe de esportes foi demitida. Então, com parte do dinheiro do fundo de garantia, Gross, junto com os demais colegas, decidiu, mais uma vez, implementar a ideia de alugar o espaço da rádio.

“O esporte da Bandeirantes existe até hoje graças a esse bando de loucos”, afirmou.

Cansado da instabilidade financeira, decidiu ir para a Rádio Gaúcha em 2001. “Fui com essa ideia de música e criatividade. Não existia internet na época para conseguir interagir com o ouvinte. Então coloquei dois produtores que ficavam no telefone anotando os recados para ler no ar”, explica. Quando nasceu sua filha, em 2005, decidiu sair da reportagem, cansado das constantes viagens. Buscando se especializar, foi fazer um curso de árbitro de futebol e de treinador de futebol, que proporcionaram a oportunidade de ser comentarista dos jogos da dupla Grenal. Na ânsia de um crescimento pessoal e profissional, o jornalista foi alçar novos vôos. Na Rádio Gaúcha, tinha estabilidade, mas sentiu que era necessário sair da zona de conforto, já que não tinha autonomia para fazer os ajustes na programação, culminando com sua saída da rádio. 

Estudantes de Jornalismo interagem com os convidados. (Foto:Daiana Berto)

Dois meses antes da Copa do Mundo de 2014, Nando Gross voltou para a Rádio Guaíba com a incumbência de reformular a programação.
“Na Rádio Gaúcha, virei primeiro comentarista e estava numa situação boa, mas inquieto. Queria ter ideias e participar. Antes de me mostrarem uma coisa pronta, me deixem participar. Queria pensar junto. Mas lá não tem muito espaço para isso, e aí me convidaram para ir para a Guaíba fazer a gestão do esporte. Queria fazer gestão”, divagou. Neste novo contexto no universo da comunicação, Nando, também, ressaltou a importância do trabalho coletivo no jornalismo. “O que eu quero de todo mundo é uma ideia de time. Aquele papo que existia antigamente na redação “não te mete, faz o teu”, ninguém mais quer funcionário assim. Tu queres pessoas que contribuam para o todo”, finalizou. 


Editor-chefe do jornal Pioneiro, Márcio Serafini está no jornalismo há muito tempo. Seu início foi na Folha de Hoje, jornal instinto em 1994. Com passagens nas mais variadas editoriais do Zero Hora, Serafini, em um determinado momento, resolveu voltar para Caxias. Lá, participou do projeto embrionário da Rádio Gaúcha Serra. Em dezembro de 2014, foi convidado para trabalhar no Pioneiro. Com o foco nas peculiaridades da região, o jornal reduziu as editorias, facilitando a leitura para o público e atuando em conjunto com as outras mídias da empresa, como rádio, televisão e digital.

“Hoje, por exemplo, o jornal Zero Hora, tirando esportes e segundo caderno, tem duas editorias: notícias e sua vida. Não só isso acabou, porque a integração é cada vez maior, como também os veículos em geral aprenderam a pensar mais com a cabeça do leitor. A cabeça das pessoas não se divide em política e economia”, explica.

Márcio, ainda, advertiu aos alunos que o jornalismo passa por um processo de transformação e que será necessário superar paradigmas. Lembrou que as novas gerações não possuem mais o hábito de ler jornais impressos e de que compreender como funcionam as plataformas digitais é essencial para ter sucesso na profissão.

“Quantas pessoas que tem menos de 20 anos lêem jornais?”, indagou.

Inserido em um contexto onde as redes sociais exercem uma função de disseminar a informação de maneira espontânea, Serafini destacou que a função do jornalista é a de passar credibilidade ao público. Embasar a informação através da apuração completa dos fatos.

“O jornalista não tem mais a exclusividade de publicar a informação, todo mundo posta algo nas redes sociais, mas a credibilidade só o jornalista tem”, finalizou.

Autor: Roberto Salatino

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