 |
| Márcio Serafini(E) e Nando Gross(D) debatem sobre empreendedorismo no jornalismo. (Foto: Daiana Berto) |
Em noite de celebração dos
10 anos do curso de Jornalismo, o auditório da Biblioteca do IPA recebeu os
renomados jornalistas Nando Gross, gerente-geral da Rádio Guaíba, e Márcio Serafini,
editor-chefe do jornal Pioneiro. Com a pauta “É possível empreender no
jornalismo?”, diversos estudantes tiveram a oportunidade de entender as
responsabilidades e as complexidades que abrangem a profissão. O professor e coordenador
do curso de Jornalismo, Fabio Berti, agradeceu a presença dos convidados e
enalteceu a qualidade do corpo docente e dos profissionais que proporcionam ao
curso as qualidades necessárias para estar entre os melhores do país, e
incentivou aos alunos a acreditar em si mesmo.
“Quantas foram as ocasiões
em que nós escutamos que o nosso mercado é complicado, a remuneração nem sempre
é aquilo que a gente sonhou, mas quem faz a oportunidades somos nós. E nós
podemos empreender em qualquer lugar. O importante é ter a noção de gestão”,
afirmou Berti.
Com a busca de uma nova
interatividade com os demais colegas, o presidente do Diretório Acadêmico de
Comunicação Social (DACS), Giovani Gafforelli, subiu ao palco para apresentar
as ideias que permeiam a nova gestão.
“A gente, mais do que nunca,
quer ouvir vocês. A voz do jornalista e do publicitário para agregar
experiências para todos”.
 |
| Auditório lotado para a palestra dos jornalistas. (Foto: Moisés Machado) |
A estudante de Jornalismo,
Marla Gass, ficou responsável pela intermediação do debate. Apreciador de
música, o jornalista Nando Gross contou sobre o início de sua trajetória e como
foi seu primeiro contato com o jornalismo. Em 1985, com um projeto ousado na
rádio Difusora, atualmente Rádio Bandeirantes, Nando, juntamente com Pedro
Ernesto Denardin, alugou um espaço de esportes da rádio e também era responsável
pela venda de anúncios publicitários. Mudou-se para a Rádio Guaíba, em 1990,
onde atuava como repórter na editoria de Rural. A experiência durou três meses.
“Desiludi-me com o jornalismo, achei tudo um saco e me demiti”, confessa.
Em seguida, foi trabalhar
em uma agência de propaganda e gravou um jingle de sucesso da campanha
eleitoral da época, que rendeu alguns trocados. Com a ligação do jornalista
Claudio Moretto, Gross foi para a Rádio Gaúcha, onde trabalhou na cobertura das
eleições estaduais de 1991, e logo foi contratado pelo departamento de Esportes.
Convidado pelo jornalista Bira Valdez, foi para a Rádio Bandeirantes, em 1995.
Diante das dificuldades financeiras e da escassez de anunciantes, toda a equipe
de esportes foi demitida. Então, com parte do dinheiro do fundo de garantia, Gross,
junto com os demais colegas, decidiu, mais uma vez, implementar a ideia de
alugar o espaço da rádio.
“O esporte da Bandeirantes
existe até hoje graças a esse bando de loucos”, afirmou.
Cansado da instabilidade
financeira, decidiu ir para a Rádio Gaúcha em 2001. “Fui com essa ideia de
música e criatividade. Não existia internet na época para conseguir interagir
com o ouvinte. Então coloquei dois produtores que ficavam no telefone anotando
os recados para ler no ar”, explica. Quando nasceu sua filha, em 2005, decidiu
sair da reportagem, cansado das constantes viagens. Buscando se especializar,
foi fazer um curso de árbitro de futebol e de treinador de futebol, que
proporcionaram a oportunidade de ser comentarista dos jogos da dupla Grenal. Na
ânsia de um crescimento pessoal e profissional, o jornalista foi alçar novos vôos.
Na Rádio Gaúcha, tinha estabilidade, mas sentiu que era necessário sair da zona
de conforto, já que não tinha autonomia para fazer os ajustes na programação,
culminando com sua saída da rádio.
 |
| Estudantes de Jornalismo interagem com os convidados. (Foto:Daiana Berto) |
Dois meses antes da Copa do Mundo de 2014, Nando Gross voltou para a Rádio Guaíba com a incumbência de reformular a programação.
“Na Rádio Gaúcha, virei
primeiro comentarista e estava numa situação boa, mas inquieto. Queria ter
ideias e participar. Antes de me mostrarem uma coisa pronta, me deixem
participar. Queria pensar junto. Mas lá não tem muito espaço para isso, e aí me
convidaram para ir para a Guaíba fazer a gestão do esporte. Queria fazer gestão”,
divagou. Neste novo contexto no universo da comunicação, Nando, também,
ressaltou a importância do trabalho coletivo no jornalismo. “O que eu quero de
todo mundo é uma ideia de time. Aquele papo que existia antigamente na redação
“não te mete, faz o teu”, ninguém mais quer funcionário assim. Tu queres
pessoas que contribuam para o todo”, finalizou.
Editor-chefe do jornal
Pioneiro, Márcio Serafini está no jornalismo há muito tempo. Seu início foi na
Folha de Hoje, jornal instinto em 1994. Com passagens nas mais variadas
editoriais do Zero Hora, Serafini, em um determinado momento, resolveu voltar
para Caxias. Lá, participou do projeto embrionário da Rádio Gaúcha Serra. Em
dezembro de 2014, foi convidado para trabalhar no Pioneiro. Com o foco nas
peculiaridades da região, o jornal reduziu as editorias, facilitando a leitura
para o público e atuando em conjunto com as outras mídias da empresa, como
rádio, televisão e digital.
“Hoje, por exemplo, o jornal
Zero Hora, tirando esportes e segundo caderno, tem duas editorias: notícias e
sua vida. Não só isso acabou, porque a integração é cada vez maior, como também
os veículos em geral aprenderam a pensar mais com a cabeça do leitor. A cabeça
das pessoas não se divide em política e economia”, explica.
Márcio, ainda, advertiu
aos alunos que o jornalismo passa por um processo de transformação e que será
necessário superar paradigmas. Lembrou que as novas gerações não possuem mais o
hábito de ler jornais impressos e de que compreender como funcionam as
plataformas digitais é essencial para ter sucesso na profissão.
“Quantas pessoas que tem
menos de 20 anos lêem jornais?”, indagou.
Inserido em um contexto
onde as redes sociais exercem uma função de disseminar a informação de maneira
espontânea, Serafini destacou que a função do jornalista é a de passar
credibilidade ao público. Embasar a informação através da apuração completa dos
fatos.
“O jornalista não tem mais
a exclusividade de publicar a informação, todo mundo posta algo nas redes
sociais, mas a credibilidade só o jornalista tem”, finalizou.
Autor: Roberto Salatino